Desempenho de sementes de soja associadas com bioestimulante à base de alga marinha Lithothamnium sp.

Autores

  • Anderson Dias Vaz Souza Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
  • João Guilherme Moreira Xavier Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
  • Philipi Gabriel Soares Ribeiro Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
  • Milton Luiz da Paz Lima Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
  • Adriano Martins Barbosa Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí
  • Erica Fernandes Leão Araújo Department of Agronomy, Instituto Federal Goiano – Campus Urutaí

DOI:

https://doi.org/10.33837/msj.v9i1.1757

Palavras-chave:

condicionamento fisiológico; Glycine max L.; qualidade fisiológica; microrganismos benéficos; revestimento.

Resumo

a soja é uma das principais culturas do mundo e o Brasil lidera a produção desta oleaginosa que apresenta diversas finalidades. Evidências mostram que o tratamento de sementes com nutrientes e/ou associação com microrganismos benéficos pode auxiliar nos processos de germinação e conferir aspectos positivos ao vigor das sementes. Produtos como o extrato da alga Lithothamnium sp. conhecidos pela riqueza em elementos como Ca e Mg tem sido utilizados com vistas ao incremento no desempenho de culturas de interesse econômico. Neste contexto, objetivou-se avaliar o desempenho de sementes de soja submetidas a diferentes métodos de associação com extrato da alga Lithothamnium sp. O experimento teve quatro tratamentos: sementes sem associação com nenhum ativo biológico (testemunha); sementes associadas com Lithothamnium sp. pelo do processo de condicionamento fisiológico; sementes associadas com Lithothamnium sp. pelo processo de revestimento e sementes associadas com Lithothamnium sp. pelo do processo de condicionamento fisiológico seguido do processo de revestimento. O condicionamento fisiológico foi feito com papel umedecido e incubação a 25 °C por 20 horas. No revestimento utilizou-se 1 g de bioestimulante para 1000 sementes. Foram realizados testes de germinação, emergência de plântulas, envelhecimento acelerado e índice de velocidade de emergência. O delineamento experimental adotado foi inteiramente casualizado. Os dados obtidos foram submetidos a testes de homogeneidade de variâncias e normalidade residual. Em seguida, foi realizada análise de variância e as médias foram comparadas pelo teste de Student Newman Keuls, ao nível de 5% de significância. As análises estatísticas foram realizadas com o auxílio do software R. Para todos os itens avaliados nas sementes de soja houve efeito dos tratamentos de associação de sementes com o produto à base de Lithothamnium sp. Quando associadas na forma de revestimento, as sementes apresentaram comportamento superior às sementes sem nenhuma associação, especialmente evidenciado em condições de estresse ou na velocidade do processo de emergência. Já quando associadas com Lithothamnium sp. pelos processos de condicionamento fisiológico seguido pelo revestimento, as sementes apresentam desempenho prejudicado durante a germinação e emergência da plântula.

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Publicado

2026-04-29

Como Citar

Souza, A. D. V., Xavier , J. G. M., Ribeiro , P. G. S., Lima , M. L. da P., Barbosa, A. M., & Araújo, E. F. L. (2026). Desempenho de sementes de soja associadas com bioestimulante à base de alga marinha Lithothamnium sp. Multi-Science Journal, 9(1), 30–36. https://doi.org/10.33837/msj.v9i1.1757